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terça-feira, agosto 07, 2012

Brasileiro pode declarar-se doador de órgão pelo Facebook


Uma parceria entre o Ministério da Saúde e a rede social Facebook quer ampliar o número de transplantes feitos no Brasil. Uma ferramenta, já disponível no perfil do usuário da rede social, possibilita que ele manifeste o desejo de ser doador de órgãos. Ainda assim, a doação só poderá acontecer após autorização da família.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a estratégia consiste em usar as redes sociais para aumentar o diálogo com a população brasileira. Ele lembrou que, atualmente, quase 80 milhões de brasileiros têm acesso a internet e quase 40 milhões usam o Facebook.
“Esta parceria facilita que qualquer indivíduo deixe clara a sua opção de ser doador, de registrar em vida que deseja ser um doador”, disse. “Acreditamos que vamos criar um burburinho e dialogar com o público jovem para que, desde o começo, possa optar por registrar o desejo de ser doador”, completou.
O vice-presidente do Facebook para a América Latina, Alexandre Hohagen, explicou que a nova ferramenta permite aos usuários declararem a intenção de serem doadores de órgãos em apenas alguns minutos e compartilhar a informação com os amigos e membros da família que também têm perfil na rede social.
“Para doar órgãos, é fundamental que haja o conhecimento e o consentimento da família. No momento em que isso for necessário, a família e os amigos saberão da intenção das pessoas. Esta estratégia não substitui o caminho formal, mas ajuda a tornar a intenção mais clara”, concluiu.
Quem tiver interesse em utilizar a ferramenta deve entrar em seu perfil no Facebook, clicar em Atualizar Status, escolher a opção Evento Cotidiano e, em seguida, a opção Saúde e Bem-Estar.


quinta-feira, junho 28, 2012

Pílula do dia seguinte não exigirá mais receita


Para evitar a gravidez, a pílula deve ser usada no máximo até 72 horas depois da relação sexual desprotegida.

Lígia Formenti, da 




Brasília - O Ministério da Saúde vai dispensar a exigência de receita médica para a entrega de pílula do dia seguinte nos postos do SUS. Protocolo com a orientação deverá ser publicado em julho. "Não faz sentido exigir que a mulher aguarde uma consulta médica. Isso pode colocar em risco a eficácia do uso do remédio", afirmou ontem o secretário de Assistência à Saúde, Helvécio Guimarães. Para evitar a gravidez, a pílula do dia seguinte deve ser usada no máximo até 72 horas depois da relação sexual desprotegida. 


Pílulas

O protocolo está em estudo há três meses por um grupo de especialistas convocados pelo Ministério da Saúde. O documento, de acordo com Helvécio, deixa claro qual o procedimento que os postos de atendimento devem adotar no caso de mulheres que buscam a contracepção de emergência. "Em alguns locais, a pílula já é fornecida sem exigência da receita, por um profissional que não é médico. Queremos padronizar essa prática", completou.

A pílula do dia seguinte começou a ser distribuída nos serviços de atendimento do SUS em 2005 como um método de contracepção de emergência. Antes dessa data, a oferta do remédio era feita apenas para vítimas de violência sexual. 

Em 2010, a rede pública de saúde distribuiu 513 mil tratamentos. Em 2011, esse número saltou para 770 mil. Helvécio afirma, no entanto, que há ainda relatos de dificuldades enfrentadas pelas mulheres para ter acesso à contracepção. "Não há dúvida de que alguns serviços ainda têm receio de lidar com a contracepção de emergência. Esse é um tema que, mesmo depois de tantos anos, ainda desperta polêmica", constata Helvécio.

Divergências

Grupos religiosos condenam o método, por considerá-lo abortivo. Especialistas garantem, porém, que a pílula, um composto hormonal, não atua após a fecundação e não impede a implantação do óvulo no útero. A ação da pílula depende do período do ciclo menstrual em que foi tomada. 


Quando tomada na primeira fase do ciclo, ela impede a ovulação ou a retarda de forma expressiva. Documento do Ministério da Saúde informa que, quando tomada depois da ovulação, a pílula altera o transporte dos espermatozoides e modifica o muco cervical - o que impediria a fecundação. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo. 

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Conheça as negativas mais frequentes por parte dos planos

Ao falar sobre operadoras o que mais aparece são dúvidas. Muitas vezes, a cobertura (garantida por lei) para determinado procedimento é negada e ninguém reclama, já que grande parte da população desconhece seus direitos

Ao falar sobre planos de saúde o que mais aparecem são dúvidas. Muitas vezes, a cobertura (garantida por lei) para determinado procedimento é negada e ninguém reclama, já que grande parte da população desconhece seus direitos relacionados ao assunto.
No escritório, respondemos essas dúvidas frequentemente. Por isso, reuni abaixo as principais, para auxiliar os consumidores na garantia por seus direitos.
Negativa de diversos tipos de quimioterapia e radioterapia. Quimioterapia, com as drogas Temodal, Xeloda, Avastin, Nexavar, dentre outras, são alvos constantes de negativas da operadora por se tratarem de medicamentos utilizados em casa, ou sob a alegação de tratamento experimental. Tal conduta é totalmente abusiva, uma vez que está previsto em contrato o tratamento de quimioterapia, sendo o médico o único responsável por indicar a melhor medicação para cada paciente.
As técnicas de radioterapia com intensidade modulada (IMRT), estereotática, tridimensional, dentre outras, também têm negativas constantes. Elas são indicadas para pacientes cuja doença possui foco localizado e possibilitam uma delimitação mais precisa das áreas a serem atingidas pelo tratamento, proporcionando proteção dos tecidos sadios e melhor controle local da doença.
Exclusão de próteses e órteses. Muitos contratos antigos, ou seja, anteriores à lei de planos de saúde, trazem a exclusão de cobertura de tais soluções. No entanto, a cláusula deve ser considerada nula de pleno direito, uma vez que a referida lei trouxe proibição à negativa de cobertura de materiais que são indispensáveis ao ato cirúrgico.
Reajuste por faixa etária. É prática recorrente, dos planos e seguros saúde, a aplicação de índices abusivos para reajustar as mensalidades em razão da mudança de faixa etária acima dos 60 anos. Tal atitude eleva demasiadamente o valor do prêmio mensal, o que é vedado pelo artigo 15, parágrafo terceiro do Estatuto do Idoso.
Outro abuso recorrente, em contratos novos, é a aplicação do reajuste por faixa etária aos 59 anos, em que a operadora eleva o valor do prêmio a fim de mascarar a ilegalidade do aumento, que seria aplicado na faixa dos 60 anos, tornando o cumprimento do contrato excessivamente oneroso.
Exclusão de plano de saúde empresarial após desligamento da empresa por aposentadoria. A lei dos planos de saúde traz, em seu artigo 31, a garantia ao funcionário, que se desligou da empresa após ter atingido a condição de aposentado, de permanecer vitaliciamente no plano de saúde coletivo oferecido aos atuais empregados, desde que atenda os seguintes requisitos previstos em lei: ter contribuído para o plano por tempo igual ou superior a dez anos e assumir o pagamento integral do valor do prêmio.
A alegação das operadoras para justificar suas atitudes gira em torno, normalmente, da exclusão contratual, ora porque o procedimento não consta no rol de procedimentos básicos elaborado pela Agência Nacional de Saúde (ANS), ora por previsão contratual, como nos casos de negativa de materiais indispensáveis à cirurgia e reajustes por faixa etária. Ambas são abusivas, pois desvirtuam a finalidade do contrato firmado entre as partes, qual seja, a garantia à saúde e integridade física dos beneficiários.

sexta-feira, janeiro 20, 2012

Manual sobre complicação do diabete busca evitar milhares de amputações

A Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Cardiovascular (SBACV) lançou o primeiro manual de tratamento do pé diabético, complicação grave do diabete, responsável por cerca de 45 mil amputações de pernas e coxas por ano. A intenção da entidade é treinar clínicos e médicos de saúde da família para que identifiquem os sinais da doença e, assim, tentar reduzir à metade os casos de amputação.
O manual, voltado para profissionais de saúde que não sejam especialistas em diabete, tem fotografias para ilustrar os principais tipos de feridas.
“O diabete mal controlado causa ao longo do tempo alterações no sistema nervoso, na pele, nas unhas, no sistema vascular, fazendo com que o paciente tenha pé ressecado, redução da sensibilidade, malformação das unhas. E esse ressecamento leva às rachaduras e lesões maiores”, explica o coordenador de programas sociais da SBACV e responsável pelo projeto, Jackson Caiafa. “O manual explica por que surgem as lesões e dá exemplos bem claros, com muitas fotografias”, completa.
De acordo com o especialista, o principal problema é que o tratamento do pé diabético não é feito precocemente. Isso ocorre porque, muitas vezes, o paciente ainda não sabe que tem a doença ou se recusa a aceitar o diagnóstico, já que os sintomas iniciais não provocam um grande incômodo. Sem tratamento adequado, a ferida evolui, levando à amputação.
“O paciente também tem de lidar com o sistema público de saúde. Muitas vezes ele precisa de um debridamento, procedimento cirúrgico de pequeno porte que trata a lesão e evita a amputação, mas só consegue marcar para um ano depois da primeira consulta. Ele precisa ser atendido em três dias”, afirma Caiafa. “O resultado é uma legião de amputados.”
Desconhecimento. O médico lembra que há poucas estatísticas tanto sobre os efeitos da doença como sobre os custos. O doente é amputado por infecção ou problemas vasculares, o que faz com que as estatísticas sejam mascaradas. “Os problemas vasculares são potencializados pelo diabete. O doente tem arteriosclerose mais precoce e mais intensa que o não diabético.”
Caiafa usa dados americanos para comentar sobre os gastos com pacientes com complicações pelo pé diabético. O custo anual nos Estados Unidos é de US$ 120 bilhões com diabéticos - 50% é o valor gasto com cirurgias, medicamentos, internações. A outra metade é o custo indireto com aposentadorias, afastamentos, licenças.
“Dos custos diretos, 27% são gastos com o pé diabético. É a complicação mais cara, isoladamente, por causa da repetição. Esse paciente é operado muitas vezes, internado muitas vezes.”
Dez mil exemplares do manual começaram a ser distribuídos. A entidade busca patrocínio para aumentar a tiragem, mas já há um link no site para quem se interessar pelo documento (sbacv.com.br/pdf/manual-do-pe-diabetico-final.pdf).
Fonte: O Estado de S. Paulo

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Gestão de saúde é primeiro alvo da Telefonica Digital

Telefônica/Vivo quer atacar primeiro o setor privado, focando em operadoras de planos de saúde, hospitais e corporações interessadas
Nova unidade de negócios da Telefônica fará lançamento no Brasil de sistemas de gestão de saúde que já estão em uso em países como Espanha, Inglaterra e Chile.
Fabiana Monte (fmonte@brasileconomico.com.br)

Desde setembro, quando anunciou sua nova estrutura global, com a criação da Telefônica Digital, a companhia espanhola vem dando sinais de que quer ser mais do que uma provedora de conectividade.
Por meio da recém-criada unidade de negócios, a Telefônica pretende investir no desenvolvimento de novas plataformas de negócio, prestando serviços de alto valor em áreas estratégicas, como saúde digital, que dependem da rede de telecomunicações para funcionar.
E é justamente o mercado de saúde que a companhia começa a explorar no Brasil. A empresa lançará ofertas comerciais na área ao longo deste ano e para isso vem realizando projetos-piloto. Vinte profissionais, das áreas técnica e comercial, estão dedicados à área.
"Estamos trazendo para o Brasil soluções de saúde digital desenvolvidas pela Telefônica Digital e em uso na Espanha, na Inglaterra e no Chile. Para trazê-las para o Brasil é preciso fazer adaptações para o mercado local", afirma Maurício Romão, diretor de produtos e serviços financeiros da Telefônica/Vivo.
Com esses produtos, a Telefônica/Vivo quer atacar primeiro o setor privado, focando em operadoras de planos de saúde, hospitais e corporações interessadas em soluções para a saúde de funcionários.
"Nunca seremos um hospital ou um convênio. Atuaremos com parceiros e vendemos a solução tecnológica", diz Romão.

Informatização de hospitais
Para hospitais, operadoras de plano de saúde e médicos, um dos produtos em adaptação é a agenda eletrônica, que tem 6 milhões de clientes, entre médicos e hospitais, cadastrados na Espanha. Trata-se de uma plataforma que permite a marcação de consultas por meio de unidade remota de atendimento.
Outro produto é o sistema de gestão de imagens, que armazena exames na internet para que sejam acessados por médicos à distância, sempre com a permissão do paciente.
A solução de telereabilitação, composta por software e sensor que é conectado à televisão, funciona como se fosse um videogame para tratamentos de fisioterapia.
"Hoje, você vai dez vezes à clínica para fazer fisioterapia. Com a solução, o paciente vai uma vez, aprende os movimentos com o fisioterapeuta e repete em casa. Se fizer o movimento incorretamente, a solução avisa", diz Michel Daud Filho, diretor de promoção à saúde da Vivo/Telefônica.
A empresa também vai tropicalizar o sistema de gestão de doentes crônicos que somam 20% da população mundial.

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sábado, janeiro 07, 2012

Centro médico militar desenvolve vacina que reduz recorrência do câncer

DA EFE
O Centro Médico Militar de San Antonio (Texas) desenvolveu uma vacina que reduz as taxas de recorrência do câncer de mama, informou nesta sexta-feira a Assessoria de Imprensa das Forças Armadas dos Estados Unidos.
O diretor e pesquisador principal do Programa de Desenvolvimento de uma Vacina para o Câncer, George Peoples, disse que a vacina, denominada E-75, "passará em breve à fase final de testes para obter a aprovação da Direção de Alimentos e Remédios".
O câncer de mama, explicou George à assessoria, é o tipo de câncer mais frequente entre as pessoas que recebem serviços do hospital militar em San Antonio.
"Temos o compromisso de cuidar do pessoal em serviço ativo, seus cônjuges e os aposentados", acrescentou.
A vacina, segundo explicou George, aponta para uma proteína que aparece, comumente, expressada em excesso nas células de câncer de mama chamada "receptor 2 do fator de crescimento epidérmico".
As vacinas contra o câncer apontam a uma proteína ou antígeno expressado nas células do câncer, e George explicou que "a ideia é 'treinar' o sistema imunológico para que reconheça essa proteína, ou porção de proteína, que aparece em excesso nas células do câncer, mas não nas células normais".
"Dessa forma o sistema imunológico pode diferenciar o normal do anormal", acrescentou. "Se o sistema de imunidade pode reconhecê-lo, basicamente, o marca para matá-lo".
Esse conceito de vacina contra o câncer se manteve por longo tempo, mas a equipe de George tomou um caminho diferente.
A grande maioria das vacinas, no passado, foi testada com pacientes cujo câncer estava nos períodos finais, mas uma vacina tem a intenção de estimular o sistema de imunidade, que é algo que não se encontra habitualmente nas pessoas com câncer terminal.
"Não é para se surpreender com o fato de que muitas das vacinas testadas com pacientes na etapa final do câncer não tivessem bom resultado", disse George.
A equipe em San Antonio decidiu que testaria a vacina entre pacientes com um sistema de imunidade robusto, ou seja, sobreviventes do câncer que estão livres do mal, mas com risco de uma recorrência.
Os pesquisadores prepararam a proteína, que se expressa em variados níveis de excesso nas mulheres com câncer de mama, e focaram nos 60% dessas mulheres nas quais ela aparecia em níveis baixos ou intermediários.
A vacina consiste em uma mistura do peptídeo E-75 da proteína HER-2, e um estimulante do sistema imunológico.
Os testes começaram em 2001 com 220 pacientes e os pesquisadores fizeram um acompanhamento das mulheres durante cinco anos. A metade das mulheres recebeu a vacina, que é uma injeção mensal por seis meses, e a outra metade foi o grupo de controle.
O resultado foi muito promissor, segundo George. A taxa de recorrência do câncer foi de 20% entre o grupo de controle e de 10% entre as mulheres que receberam a vacina.
Este sucesso levou à nova etapa de testes que começará este ano e envolverá de 700 a 1.000 pacientes.
Mas, ao contrário dos períodos anteriores, esta fase será por conta da companhia comercial Galena Biopharma que buscará a aprovação do governo para o uso público da vacina.

sexta-feira, janeiro 06, 2012

Es cubana la primera vacuna del mundo contra cáncer de pulmón

vacuna_cancer1
En momentos en que la Organización Mundial de la Salud (OMS) llama la atención en torno al dramático hecho de que el consumo de tabaco mata a más cinco millones de personas cada año, cifra que podrá elevarse a 8 millones para el 2030, Cuba da a conocer la alentadora noticia de haber desarrollado la primera vacuna terapéutica del mundo contra el cáncer de pulmón, uno de los más frecuentes a nivel mundial y el de mayor incidencia entre los fumadores.
Ensayos clínicos exitosos prueban la eficacia del fármaco, que se comercializará en la Isla con el nombre de Cimavax-EGF, gracias a la paciente labor de investigadores del Centro de Inmunología Molecular de La Habana, quienes ya valoran usar el mismo principio del medicamento en el tratamiento de otras enfermedades oncológicas.
Difundidas por el semanario local Trabajadores, declaraciones de Gisela González, responsable del proyecto, dan cuenta que el medicamento no puede prevenir la enfermedad, pero mejora considerablemente el estado de los pacientes graves, es decir, ofrece la posibilidad de convertir el cáncer avanzado en una enfermedad crónica controlable, en tanto genera anticuerpos contra las proteínas desencadenadoras del descontrol en los procesos de proliferación celular.
La OMS ha apuntado que el cáncer de pulmón es una de las enfermedades más graves y uno de los cánceres con mayor incidencia en el ser humano, responsable de altos índices de mortalidad oncológica a escala mundial, con más de un millón de decesos anualmente.
Entre los más afectados por este flagelo se encuentran los mayores de 50 años con antecedentes de tabaquismo y personas expuestas a la exposición al humo del tabaco -téngase en cuenta que 600 000 fumadores pasivos mueren en el mundo cada año- y las emisiones de transporte o ciertas industrias.

terça-feira, janeiro 03, 2012

Operadoras de saúde no “paredão”

Em artigo, especialista diz que a RN 275 de forma indireta, exige iniciativas e estratégias de melhoria de desempenho dos prestadores de saúde, integrantes da rede assistencial das operadoras
por * Sandra Franco e Nina Neubarth


Logo após a “revelação”, nada surpreendente para os beneficiários, de que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), após avaliar 1.103 planos nos quesitos qualidade da assistência prestada ao cliente, estrutura de atendimento oferecida, situação econômico-financeira e atendimento, constatou que 743 deles tiveram pontuação inferior a 0,60 (na escala que vai até um), foi publicada a Resolução Normativa nº 275, de 1º de novembro.
O objetivo é aprimorar a eficiência assistencial das prestadoras de serviços de saúde. A definição de critérios de avaliação, segundo a ANS, possibilitará a identificação e solução de problemas por parte das operadoras de planos de saúde com mais consistência, segurança e agilidade, para que o consumidor informado escolha o seu plano e até possa cobrar qualidade na rede assistencial.
Na prática, a RN 275 dispõe sobre a Instituição do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Prestadores de Serviços na Saúde Suplementar – QUALISS, que consiste em um sistema de medição para avaliar a qualidade dos prestadores de serviço na saúde suplementar. Para tal, farão uso de indicadores que possuam validade, comparabilidade e capacidade de discriminação dos resultados. Efetividade, eficiência, equidade, acesso, centralidade no paciente e segurança são os itens medidos. Desde 2004, a ANS busca implementar um Programa de Qualidade de Operadoras e, mesmo com a divulgação de avaliações anuais, não se mediu o impacto dos números no consumidor.
A nova norma, de forma indireta, exige iniciativas e estratégias de melhoria de desempenho dos prestadores de saúde, integrantes da rede assistencial das operadoras. E, por sua vez, as operadoras deverão atentar para a qualidade dos prestadores.
Por se considerar a enxurrada de Resoluções da ANS que atingiram a saúde suplementar neste ano – algumas, inclusive, sequer começaram a vigorar -, volta-se a assertiva de que “só os fortes sobreviverão”. A economia do país está estável e o setor apresenta crescimento, se mostra rentável; todavia, há planos com problemas econômicos, o que seria obstáculo para novos investimentos em qualidade, o que inclui o credenciamento de prestadores que exigiriam melhor remuneração de seus serviços. Basta lembrar que não terminou o braço-de-ferro entre operadoras e médicos.
Resta saber se essa nova resolução alcançará sua eficácia e finalidade, já que a forma e aplicação das medidas de avaliação dependem das informações prestadas pelas instituições de saúde pelo Documento de Informações Periódicas dos Prestadores de Serviços (DIPRS). Na cultura do “jeitinho brasileiro”, o sistema de monitoramento poderá ser alimentado com informações manipuladas, ludibriando o resultado final, o que exigirá do Comitê Gestor (a ser formado por representantes de operadoras, planos de saúde, hospitais, clínicas, laboratórios, médicos e consumidores) um acompanhamento ferrenho.
As operadoras de saúde terão que investir não apenas em sistemas de informação (leia-se tecnologia), mas em sua estrutura organizacional. Somente assim poderão passar pelo processo voluntário de Acreditação de Operadoras de Planos Privados de Assistência à Saúde – OPS, instituída pela Resolução 277, de 4 de novembro último. No processo de Acreditação, atribui-se peso dois àquelas dimensões que versam sobre a satisfação do beneficiário e sobre a qualidade da rede de prestadores de serviços das operadoras. Há muito que se melhorar na saúde suplementar.
É preciso ressaltar que, na recente avaliação da ANS, dos 1.103 planos analisados, 360 receberam pontuação acima da média. Desses, 46 alcançaram a nota máxima. Sem muita dificuldade, chega-se à constatação de que 1.057 planos fornecem um serviço deficitário a aproximadamente 95,8% dos 46 milhões de beneficiários.
Inconteste que dinheiro público será gasto pela Agência Nacional de Saúde Suplementar para que a saúde privada apresente elevação em seus indicadores de qualidade. Somente com sistemas de informação avançados será possível gerenciar os indicadores. Ademais, deverá a Agência preparar auditores, conforme prevê o art. 9º da RN 275, que possamin loco analisar se os dados informados correspondem à realidade. Fato é que não há outra forma de melhorar qualidade sem investimentos.
Não se pode julgar como desnecessária a iniciativa da ANS de implementar critérios objetivos para avaliação da qualidade das operadoras, a começar por sua rede credenciada. Até porque se está tutelando o direito de 1/3 da população brasileira que busca a saúde privada como alternativa ao sistema de saúde público. Aos 144 milhões de brasileiros que dependem unicamente do atendimento SUS, porém, fica a pergunta: e nós?

quarta-feira, dezembro 21, 2011

Metade dos hemocentros do País tem condições inadequadas, afirma Anvisa.

Fonte: Estadao.com.br
Quase metade dos serviços de hemoterapia do País foi classificada como de alto e médio risco em levantamento feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O trabalho mostra que, dos 419 centros analisados, 47% apresentavam problemas na calibração e aferição dos equipamentos e 46% operavam com aparelhos sem manutenção adequada. Além disso, em 25% foram encontradas falhas nos procedimentos de desinfecção, lavagem e esterilização do material.
Centros que apresentam condições inadequadas de funcionamento podem trazer risco principalmente para o paciente que recebe o sangue. Uma bolsa armazenada numa temperatura acima do adequado, por exemplo, pode favorecer o crescimento de bactérias. 'Se usada, o paciente pode ter uma infecção bacteriana, o que pode agravar ainda mais o seu quadro', avalia o professor titular de hematologia e hemoterapia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Dalton Chamone.
Os dados, referentes a inspeções feitas em 2010, indicam que somente 17,72% dos serviços reuniam condições consideradas ideais de funcionamento.
O retrato é ainda mais preocupante quando se faz a comparação histórica. O porcentual de serviços considerados de alto risco (mais informações nesta pág.) subiu de 5% para 14% entre 2007 e 2010. Os de médio alto risco passaram de 10% para 11%.
Apesar dos números, o gerente de sangue e componentes da Anvisa, João Paulo Baccara Araújo, assegura que a qualidade dos serviços não piorou. 'A qualificação dos inspetores é que melhorou. Hoje eles conseguem identificar pontos críticos com maior facilidade.' A visão de Baccara, no entanto, não se repete no boletim da Anvisa. O documento afirma haver duas outras possibilidades, além da melhora na capacidade do diagnóstico: o aumento da amostra analisada e a efetiva piora dos serviços.
Otimismo. O coordenador nacional da Política de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Guilherme Genovez, também tem uma visão otimista do setor, apesar dos resultados do trabalho. 'A cadeia como um todo melhorou ao longo dos últimos quatro anos. A qualidade do sangue no Brasil é boa e dos grandes centros de hemoterapia também.'
Para ele, os baixos resultados gerais do levantamento são provocados pelo desempenho ruim em unidades de coleta e transfusão. 'É muito difícil controlar o que está sendo realizado na ponta, no banco de sangue ligado ao hospital com 60 leitos, numa pequeno município do interior.'
O boletim observa que, dos hemocentros coordenadores (HC) da rede, 85% apresentam risco baixo ou baixo médio. Mas o texto ressalva: 'Médio risco para HC é uma classificação que implica necessidade de melhorias importantes, ainda mais considerando sua função coordenadora'. Do grupo de HCs avaliados, um é considerado de risco.
Genovez não descarta o risco de pacientes que se submetem a transfusões de sangue em locais onde a qualidade está fora dos padrões. 'Não há indicadores. Mas transfusão, assim como outros procedimentos de saúde, tem um risco potencial.'

sábado, dezembro 17, 2011

Emenda 29 não é o remédio para a saúde

Em artigo, a consultora jurídica especializada em Direito Médico e da Saúde, Sandra Franco, afirma que no Brasil, país em que a corrupção e vantagens pessoais caracterizam forte traço cultural, a publicação de uma lei não é sinônimo de mudança
por Sandra Franco

Em tese, a regulamentação da Emenda Constitucional 29/2000 inibiria o mau uso do dinheiro público, uma vez que seu texto dispõe sobre as formas que a União, estados e os municípios devem gastar seus recursos no setor de saúde. Porém, olvida-se que a letra da lei se transforme em realidade.
No Brasil, país em que a corrupção e vantagens pessoais caracterizam forte traço cultural, a publicação de uma lei não é sinônimo de mudança. Essa afirmação encontra eco no que se refere aos responsáveis pela gestão do dinheiro público. Há bons gestores públicos na área da saúde, indubitável. Da mesma forma, há políticos em cargos públicos com foco permanente no cumprimento de suas atribuições. Para esses, portanto, a votação do projeto de lei 121/2007nesta semana apenas ratifica seus atos de probidade.
As diretrizes do texto aprovado para a aplicação dos valores mínimos quer pela União, estados e municípios são inequívocas. Não há espaço para interpretações análogas que resultem no desvio de verbas. Primeiro, está definido que o gasto público será com as ações e serviços públicos de saúde de acesso universal, igualitário e gratuito.
A sociedade – é justo dizer – terá, quando da vigência do texto, uma espécie de cartilha para fiscalizar as ações dos gestores públicos. Poderá, por exemplo, verificar se o uso de dinheiro da saúde para saneamento básico (que possui recursos oriundos instituída em taxas ou tarifas públicas) não é um gasto a ser realizado com dinheiro da saúde, independentemente da sua importância.
Evidentemente que a desnutrição pode gerar doenças, mas não é justificativa para o gestor desviar os recursos da saúde para essa política. O mesmo se pode afirmar quanto às ações que envolvam limpeza urbana e remoção de resíduos; assistência social; obras de infraestrutura, entre outros.
Outra questão que se deve registrar é a não aprovação de uma nova CPMF, desta vez disfarçada pelo nome de Contribuição Social para a Saúde. A arrecadação no país é suficiente para que municípios, estados e União cumpram a previsão mínima de gasto com a saúde pública.
Se a regulamentação da Emenda 29 cumpre seu objetivo no que se refere à clareza, resta resolver um problema: punição rigorosa para os que continuam a usar a máquina e o dinheiro públicos para transformar, por exemplo, uma compra de medicamentos superfaturados como forma de enriquecimento ilícito.
Todas as semanas, quase todos os dias, a imprensa noticia alguma nova fraude envolvendo o desvio de recursos da saúde. Em especial, as denúncias tem sido alvo de procedimentos investigativos pelo Ministério Público. Para ilustrar, uma ação civil pública, em curso no Estado de Minas Gerais, investiga a sangria de recursos da saúde para o setor de saneamento básico. Neste caso, o MP pede a devolução de R$ 3,3 bilhõesao Fundo Estadual de Saúdepor gestores públicos.
O uso de empresa fantasmas para justificar o desvio de recursos públicos da saúde; notas fiscais frias; superfaturamento na compra de materiais e equipamentos; materiais adquiridos que não chegam a seu destino; contratação irregular de profissionais da saúde (médicos, enfermeiros e dentistas); acúmulo irregular de cargos; nepotismo; fraude no pagamento de cargos comissionados; fraudes em processos licitatórios; enfim, uma gama de procedimentos irregulares que servem maquiar atos de improbidade em pequenos ou grandes municípios ou Estados do país.
Há motivo para comemoração, afinal a regulamentação da Emenda 29 aguardou mais de uma década para ter seu texto votado. Todavia, impossível acreditar que apenas a lei garantao bom uso do erário. Somente por meio uma vigília incansável, permanente e comprometida por parte da sociedade e suas instituições haverá a cura para os males da saúde. Precisamos cuidar desse doente!

quarta-feira, dezembro 14, 2011

5 grandes Problemas Hospitalares para Investir Melhor

Por: Dr. Edgar Luna.


Apesar da instabilidade dos mercados pela crise europeia e dos problemas que os Estados Unidos vêm enfrentando na sua economia, o Brasil é um dos seis maiores mercados mundiais em equipamentos e produtos médico-hospitalares.
Segundo a ABIMED, o mercado de equipamentos e produtos médico-hospitalares e de diagnósticos fechará 2011 com um crescimento estimado de 19%, atingindo um faturamento R$ 13,5 bilhões, superior à média de crescimento da economia brasileira, que ficará abaixo dos 4,5%. O setor registrou também uma expansão recorde no número de empregos, 6 mil novos postos de trabalho, duplicando dessa maneira as expectativas para o período.
Com todo esse otimismo e o crescimento do setor, ainda esse mercado, em parceria com as instituições de saúde, precisa investir mais e melhor em 5 grandes problemas hospitalares, que por ano trazem bilhões de reais em prejuízos para os hospitais e operadoras de saúde, não só pelo próprio problema, mas também pelas consequências que provocam.
1. Reinternações: É um problema frequente nas instituições de saúde. Estudos recentes sugerem que as readmissões hospitalares são um indicador importante de qualidade assistencial por refletir o impacto dos cuidados hospitalares na condição do paciente após a alta.
2. Infecções hospitalares: Constituem um grave problema de saúde pública. Estão entre as principais causas de morbidade e letalidade e são responsáveis pelo aumento no tempo de hospitalização e, consequentemente, pelos elevados custos adicionais para o tratamento do paciente.
3. Cancelamento de consultas e exames: Quando os pacientes cancelam as consultas ou perdem exames porque não fizeram bem o preparo, o hospital perde receita, tempo e esforço, para encaixar novamente o paciente.
4. Acidentes de trabalho: principalmente com agulhas e objetos cortantes, representam o maior perigo para o pessoal de saúde e inclusive para os próprios pacientes. Esses acidentes têm grande impacto econômico devido à perda de mão-de-obra qualificada pelas lesões ocupacionais, bem como pelo dano irreparável à imagem da instituição hospitalar, caso os profissionais infectem os pacientes.
5. Erro médico: Principalmente o erro de medicação nos hospitais, é hoje, uma grande preocupação devido ao aumento de ocorrências e as altas taxas de morbidade e mortalidade em pacientes hospitalizados, além do impacto econômico nas instituições de saúde. As não conformidades em prescrição constituem um índice expressivo entre os erros de medicação e muitas vezes, estas ocorrências não são detectadas, resultando em deficiência na terapêutica.
 

terça-feira, dezembro 06, 2011

Saúde está entre setores que criam 19 milionários por dia

Estatística deve se repetir pelos próximos três anos, em decorrência do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e das taxas de consumo em toda a América Latina

por Saúde Web


O mercado de saúde está entre os segmentos da economia que criam 19 milionários por dia no Brasil desde 2007, aponta reportagem da revista norte-americana Forbes. A estatística deve se repetir pelos próximos três anos, em decorrência do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e das taxas de consumo em toda a América Latina.
Entre os brasileiros citados, figuram os brasileiros Edson de Godoy Bueno, CEO do Grupo Amil e maior acionista da Dasa; e André Esteves, presidente do banco BTG Pactual, sócio da carioca Rede D’Or.
De acordo com o representante da Millennium BCP, Guilherme Morales, há muitas empresas emergentes crescendo muito rápido, no setor da saúde, imobiliário, construção e outras indústrias de base. Ele diz que o consumo brasileiro continua a crescer fortemente e, à medida que essas empresas crescem, o mesmo acontece com a riqueza de seus donos.
O especialista também destacou o crescimento das fusões e aquisições, sobretudo devido ao movimento de consolidação e de absorção de pequenos players por grandes companhias.
A estatística de 19 milionários por dia foi calculada com base em todas as riquezas de um indivíduo em conta, incluindo investimentos, bens, poupança e outros ativos, além de dinheiro. Segundo o ranking da Forbes 2011, o Brasil possui hoje 137 mil milionários e cerca de 30 bilionários, com 70% da riqueza do país concentrada em São Paulo e Rio de Janerio.

sexta-feira, dezembro 02, 2011

Entenda o Programa Hospital Domiciliar

Projeto da prefeitura municipal de São Paulo tem o objetivo é desospitalizar em tempo adequado os pacientes com perfil para internação domiciliar, evitando hospitalização desnecessária

por Marina Pita para a Revista Fornecedores Hospitalares
A prefeitura municipal de São Paulo lançou mão de uma nova estratégia para ampliação de leitos e do atendimento no sistema de saúde pública: o Programa Hospital Domiciliar. Dividido em duas modalidades, atendimento e internação, os projetos ainda têm custo de 40% a 60% menor do que as versões tradicionais.
O objetivo é desospitalizar em tempo adequado os pacientes com perfil para internação domiciliar, evitando hospitalização desnecessária, reduzindo as taxas de reinternação, minimizando os riscos de complicações clínicas, como infecção hospitalar, além de permitir uma melhor integração do paciente com a família. A prefeitura trabalha com uma estimativa de que 70% das doenças são passíveis de tratamento em âmbito domiciliar.
Implantado desde junho de 2008, o Prohdom está presente em cinco hospitais de administração direta – Hospital Municipal Dr. Cármino Caricchio, Hospital Municipal Professor Dr. Alípio Correa Neto, Hospital Municipal Tide Setúbal, Hospital Municipal Ignácio de Proença Gouveia, Hospital Municipal Fernando Mauro Pires da Rocha – e em três administrados por Organizações Sociais de Saúde – Hospital Municipal Dr. Moysés Deutsch, Hospital Municipal Vereador José Storopolli, Hospital Municipal.
De acordo com o assistente técnico do Prohdom, Reynaldo Bonavigo Neto, o atendimento domiciliar está bem consolidado nas oito unidades supracitadas. Já a internação domiciliar está implantada totalmente nos hospitais gerenciados por OS, porém ainda em fase de implantação nos equipamentos de administração direta.
Apesar do programa, aplicado por meio de Portaria, estar em andamento, faltava maior legitimidade, avalia Neto. Por este motivo, o prefeito Gilberto Kassab sancionou, no final de setembro, o Projeto de Lei 15.447/11 regulamentando o atendimento domiciliar, que agora deve se estender para aos outros dez hospitais da rede municipal.
A meta é oferecer 30 vagas por equipe para Internação Domiciliar (UID), com média de permanência de 30 dias, e 200 vagas por equipe para Atendimento Domiciliar (UAD), com média de permanência de 180 dias.
Nessa proporção, a prefeitura estima a geração de 450 leitos de Internação Domiciliar para os hospitais e 6,6 mil vagas na modalidade de Atendimento Domiciliar. Para isso, nove unidades do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) serão direcionadas ao programa e R$ 3 milhões mensais devem custear o serviço.
Atualmente, há, em média, 80 pacientes por mês sendo beneficiados pelas três equipes de internação domiciliar. Esse número, porém, é flutuante, uma vez que diariamente ocorrem altas e novas admissões.
“Com isso, traça-se um novo e ousado plano de tratamento aos pacientes que, até então, permaneciam por período prolongado submetidos à internação hospitalar. E, mais do que isso, traça-se um novo olhar ao paciente, que será assistido e preparado para a reinclusão domiciliar, familiar e pela comunidade”, conclui Neto.

terça-feira, novembro 29, 2011

Todos os estados do País recebem recursos para investir em Saúde do Homem

Os homens brasileiros vão ser beneficiados com mais serviços de assistência integral à saúde. Isso porque todos os estados do Brasil vão receber recursos para serem investidos em ações de conscientização sobre cuidados com a saúde masculina

Portal da Saúde - Produção da Web Rádio Saúde/Agência Saúde - Ascom/MS/ Reportagem, Débora Rocha

Os recursos vão ser utilizados para a produção de material informativo sobre as doenças que podem afetar o bem estar do homem. Além disso, a verba será aplicada na capacitação de profissionais do Sistema Único de Saúde. O coordenador da Saúde do Homem do Ministério da Saúde, Eduardo Chakora, fala da importância da iniciativa. "A política está em plena expansão. Isso vem de acordo com o que o Ministério da Saúde vem pregando que é fazer uma expansão, que é lenta, gradativa, mas que é consistente, em relação à estratégia de ações voltadas para a população masculina no País."

Dentro da Política Nacional de Atenção à Saúde do Homem, está incluído ainda o pré-natal masculino. É o que explica o coordenador da Saúde do Homem, Eduardo Chakora. "O que a gente quer, na verdade, é incorporar os homens às atividades educativas, voltadas para o planejamento familiar. A gente quer que cada vez que a mulher vá fazer o primeiro exame de pré -natal, os homens já possam estar acompanhando suas companheiras e possam ser ofertados para esses homens aferição de pressão arterial, de glicemia, fazer exame de sífilis, HIV, hepatites virais. Isso é muito positivo porque reduz muito a possibilidade de se passar do homem para a mulher alguma doença sexualmente transmissível."

Além dos estados brasileiros, mais 52 municípios vão receber recursos para serem aplicados nas iniciativas voltadas para o bem estar do homem.

domingo, novembro 20, 2011

“Saúde para quem pode”

Para o advogado criminalista, Marcos Espínola, existe uma contradição entre o fato de o Brasil se destacar como referência mundial em saúde e ao mesmo tempo protagonizar descaso com o ser humano

por *Marcos Espínola


Enquanto despontamos como referência mundial no setor da saúde em temas como tratamento da Aids, cirurgia plástica, entre outros, num outro extremo somos, diariamente protagonistas do descaso com o ser humano. Pessoas que sofrem na pele a indiferença no atendimento de inúmeros hospitais públicos do país.
No Rio de Janeiro, por exemplo, o problema é crônico. Há falta de leitos, CTIs, entre tantas outras carências. Hospitais sem médicos, UPAS sem atendimento, algumas sem pediatra, unidades sem macas etc. Uma calamidade generalizada, essencialmente nas emergências e ambulatórios.
Constantemente nos deparamos com casos de autoridades que recorrem à rede privada para tratamentos de saúde. Para muitos, um direito adquirido, mas para a grande massa, uma contradição, afinal, de certa forma, milhões de brasileiros que lutam diariamente contra diversas doenças não têm esse privilégio.
Devemos respeitar o sofrimento e a luta pelo direito à vida, pois em caso de enfermidade qualquer cidadão busca os melhores recursos, bom atendimento, rapidez e qualidade. Na rede pública, por mais que se tenham médicos competentes, as condições de trabalho e a grande demanda não permitem tal agilidade, por isso muitos ainda morrem na fila de atendimento. É preciso que a saúde pública seja eficiente e democrática, onde todos possam ter direito ao atendimento digno.

sexta-feira, novembro 18, 2011

MEC determina corte de 514 vagas de medicina em cursos com baixa qualidade

Amanda Cieglinski
Da Agência Brasil - Em Brasília


O Ministério da Educação (MEC) deu início ao processo de supervisão dos cursos com baixo desempenho nas avaliações da pasta, anunciado ontem (17). No Diário Oficial da União de hoje (18) foram publicadas as medidas cautelares que suspendem 514 vagas de 16 cursos de medicina que tiveram nota 1 ou 2 no Conceito Preliminar de Curso (CPC). O indicador varia em uma escala de 1 a 5 e é calculado com base no desempenho dos alunos no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) e em outros critérios como a infraestrutura e o corpo docente da instituição.
Os cursos que sofreram o corte determinado hoje são todos de instituições privadas de Minas Gerais, de São Paulo, do Rio de Janeiro, do Maranhão, de Rondônia, do Tocantins e de Mato Grosso. O ministério pretende suspender até o fim do ano 50 mil vagas em graduações na área da saúde, ciências contábeis e administração que tiveram resultado insatisfatório nas avaliações de 2009 ou 2010. Os dados do Enade 2010 divulgados ontem (17) mostram que 594 dos 4.143 cursos avaliados tiveram CPC 1 ou 2. A nota 3 é considera satisfatória e os CPCs 4 e 5 indicam que o curso é de boa qualidade.
O percentual de vagas reduzidas em cada curso variou entre 20% e 65% do total, de acordo com o desempenho no CPC. A redução no número de vagas de ingresso passa a valer para o próximo processo seletivo de cada instituição. Elas passarão por um processo de supervisão e terão o prazo de um ano para cumprir um termo de saneamento de deficiências para melhorar a qualidade da oferta. Se as exigências não forem atendidas, o MEC poderá abrir um processo administrativo para encerrar a oferta do curso. A partir da notificação, as instituições têm 30 dias para informar o ministério sobre as providências que serão tomadas.

Seria a redenção? Tomara, não é mesmo?!

quinta-feira, novembro 17, 2011

Medicina se alia à meditação

Fonte: Agência Estado

Sao Paulo (AE) - Em fevereiro, a agência do governo dos Estados Unidos responsável pelas pesquisas médicas (NIH, na sigla em inglês) reconheceu formalmente a meditação como uma prática terapêutica que pode ser associada à medicina convencional. Em maio, o Ministério da Saúde brasileiro baixou uma portaria em que incentiva postos de saúde e hospitais públicos a oferecer a meditação em todo o País.

Essas recentes ações governamentais são sinais da tendência de encarar a meditação não simplesmente como uma prática de bem-estar, que faz bem apenas à mente e ao espírito. Parar por alguns minutos diariamente para se concentrar e se desligar do turbilhão de pensamentos que constantemente ocupa a cabeça também ajuda a manter a saúde física.

"A meditação é diferente da medicina convencional porque quem cuida de você não é o médico. É você mesmo", explica a médica Kátia Silva, que coordena as atividades de meditação no Hospital Municipal Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo. Na cidade, 70% dos postos de saúde oferecem atividades da chamada medicina tradicional, que inclui acupuntura, tai chi chuan e meditação.

Uma pesquisa com a palavra meditação no acervo online da Biblioteca Nacional de Medicina, do governo americano, traz 1.400 estudos científicos sobre o tema. Entre outros benefícios, eles mostram que meditar previne e combate a depressão, a hipertensão arterial, a dor crônica, a insônia, a ansiedade e os sintomas da síndrome pré-menstrual, além de ajudar a reduzir a dependência de drogas.

Segundo sugerem esses estudos, a meditação interfere no funcionamento do sistema nervoso autônomo, que é responsável, por exemplo, pela liberação de noradrenalina durante os momentos de estresse. Em quem medita, a duração dessas "reações de alarme" são mais curtas. Dessa forma, a pressão do sangue e a força de contração do coração ficam alteradas por pouco tempo, comprometendo menos a saúde.

Apesar de serem evidentes os benefícios, a ciência ainda não consegue entender de forma detalhada como a meditação age no sistema nervoso.

Segundo especialistas, os efeitos iniciais são sentidos logo nas primeiras semanas. A aposentada Maria Elza Lima dos Santos, de 60 anos, descobriu a meditação no Hospital Vila Nova Cachoeirinha. Ela vivia com crises de pressão alta, que passaram após quatro meses de práticas diárias. "Antes, eu era muito nervosa. A minha cabeça estava sempre cheia de problemas. Aí a pressão subia. Agora fico mais relaxada, sinto uma paz de espírito", conta ela, explicando que no princípio teve dificuldades com a técnica. "Levei um mês para aprender a me concentrar."

NA TRILHA DA ACUPUNTURA
De acordo com o obstetra Roberto Cardoso, autor do livro "Medicina e Meditação - Um Médico Ensina a Meditar" (MG Editores; 136 págs), muitos profissionais de saúde ainda têm preconceitos em relação à prática. "Mas isso deve mudar com o avanço das pesquisas. A meditação começa a trilhar os passos da acupuntura, que já é um recurso reconhecido pela classe médica."

No Brasil, a instituição pública que mais estuda o tema é a escola médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), uma das mais conceituadas do País. Isso, de acordo com os especialistas, ajuda a separar a imagem religiosa e mística que normalmente se tem da meditação. A meditação, explicam, não precisa ser necessariamente ligada a uma crença oriental.

Para que a meditação cumpra seu papel de medicina complementar e preventiva, o psicólogo José Roberto Leite, coordenador da Unidade de Medicina Comportamental da Unifesp, explica que ela deve ser constante. "É como comer ou fazer exercícios. Não adianta só uma semana para que você se mantenha saudável. A meditação precisa ser uma atividade diária. Os efeitos se sentem a longo prazo."

Não importa a técnica, os efeitos são os mesmos
Iogue, budista ou taoísta. A meditação provoca sempre os mesmos efeitos sobre o organismo, não importa qual seja a linha ou a técnica. Todas usam a concentração para manter o pensamento focado - pode ser um som (como um mantra), um ponto fixo ou a própria respiração. Com a mente fixa em algo, a pessoa não se perde no turbilhão de pensamentos que tomam conta da cabeça no dia-a-dia.

Normalmente as pessoas meditam sentadas. Mas há quem consiga fazê-lo caminhando e até lavando os pratos - o importante é a mente concentrada em algo.

Segundo especialistas, é possível aprender a meditar sozinho, mas o processo é mais fácil com um instrutor. Recomenda-se que a prática dure entre 10 e 20 minutos e seja feita uma ou duas vezes ao dia.

 
 

quarta-feira, novembro 16, 2011

90% dos familiares de pacientes preferem tratamento em domicílio

Estudo feito pelo Grupo Hospitalar Santa Celina mostra que a proximidade com os entes queridos é um fator positivo do home-care.
por Saúde Web

O Grupo Hospitalar Santa Celina realizou uma pesquisa com 20 cuidadores sobre os principais desafios no cotidiano de quem convive com um familiar doente sob os cuidados de um programa de home-care. Cuidador é a pessoa designada pela família para colaborar no tratamento do paciente e se responsabilizar pelos cuidados do dia a
dia.
A principal constatação é que, mesmo com as novas incumbências, algumas bastante difíceis, 90% preferem ter seu familiar dentro de casa a vê-lo internado no hospital. A pesquisa foi realizada através de entrevistas individuais com os cuidadores – nove eram cônjuges dos pacientes, seis eram filhos, quatro pais e somente um irmão. O tempo de tratamento do grupo é bem heterogêneo, incluindo pacientes em home-care desde 2007 e outros que iniciaram os cuidados este ano.
Para justificar a preferência pelo tratamento em domicílio, 14 entrevistados disseram que a proximidade com a família é um fator positivo do home-care; outros seis afirmaram acreditar que em casa os pacientes recebem melhor tratamento. Seis cuidadores mencionaram ainda o fato de internações hospitalares aumentarem o risco de infecção.
Como desafio da nova rotina, os entrevistados afirmaram que os procedimentos e medicações são a maior dificuldade encontrada – 13 pessoas indicaram o fato de terem que conviver com traqueostomia, sondas, balão de oxigênio, controle de medicamentos, entre outros, como a maior questão a ser enfrentada no suporte aos familiares. Mesmo contando com assistência de profissionais de saúde conforme a prescrição médica (por exemplo, fisioterapia, nutrição, enfermagem para aplicação de medicações endovenosas, visitas médicas e presença de enfermeiros conforme a necessidade, entre outros), os cuidadores relatam ansiedade em conviver com equipamentos e tarefas que cabem a eles.
A pesquisa mostra que o maior desafio é cuidar da parte de higiene, dar banho, às vezes lidar com sangue. Por outro lado, o maior benefício é ter a família presente, cuidando.
Segundo a diretora do Grupo Hospitalar Santa Celina, Ana Elisa Siqueira, o estudo foi realizado porque é fundamental saber o que os cuidadores pensam. Ela chama atenção para o fato de que eles são parceiros fundamentais da condição de saúde dos pacientes.

terça-feira, novembro 15, 2011

Eu, o SUS, a ironia e o mau gosto.

Fonte: purplesofa.wordpress.com

Há seis anos atrás eu tive uma dor no olho. Só que a dor no olho era, na verdade, no nervo ótico, que faz parte do sistema nervoso. O meu nervo ótico estava inflamado, e era uma inflamação característica de um processo desmielinizante. Mais tarde eu descobri que a mielina é uma camada de gordura que envolve as células nervosas e que é responsável por passar os estímulos elétricos de uma célula para a outra. Eu descobri também que esta inflamação era causada pelo meu próprio sistema imunológico que, inexplicavelmente, passou a identificar a mielina como um corpo estranho e começou a atacá-la. Em poucas palavras: eu descobri, em detalhes, como se dá uma doença-auto imune no sistema nervoso central. Esta, específica, chama-se Esclerose Múltipla. É o que eu tenho. Há seis anos.
Os médicos sabem tudo sobre o coração e quase nada sobre o cérebro – na minha humilde opinião. Ninguém sabe dizer porque a Esclerose Múltipla se manifesta. Não é uma doença genética. Não tem a ver com estilo de vida, hábitos, vícios. Sabe-se, por mera observação estatística, que mulheres jovens e caucasianas estão mais propensas a desenvolver a doença. Eu tinha 26 anos. Right on target.
Mil médicos diferentes passaram pela minha vida desde então. Uma via crucis de perguntas sem respostas. O plano de saúde, caro, pago religiosamente desde sempre, não cobria os especialistas mais especialistas que os outros. Fui em todos – TODOS – os neurologistas famosos – sim, porque tem disso, médico famoso – e, um por um, eles viam meus exames, confirmavam o diagnóstico, discutiam os mesmos tratamentos e confirmavam que cura, não tem. Minha mãe é uma heroína – mãos dadas comigo o tempo todo, segurando para não chorar. Ela mesma mais destruída do que eu. E os médicos famosos viam os resultados das ressonâncias magnéticas feitas com prata contra seus quadros de luz – mas não olhavam para mim. Alguns dos exames são medievais: agulhas espetadas pelo corpo, eletrodos no córtex cerebral, “estímulos” elétricos para ver se as partes do corpo respondem. Partes do corpo. Pastas e mais pastas sobre mesas com tampos de vidro. Colunas, crânio, córneas. Nos meus olhos, mesmo, ninguém olhava.
O diagnóstico de uma doença grave e incurável é um abismo no qual você é empurrado sem aviso. E sem pára-quedas. E se você ta esperando um “mas” aqui, sinto lhe informar, não tem. Não no meu caso. Não teve revelação divina. Não teve fé súbita em alguma coisa maior. Não teve uma compreensão mais apurada das dores do mundo. O que dá, assim, de cara, é raiva. Porque a vida já caminha na beirada do insuportável sem essa foice tão perto do pescoço. Porque já é suficientemente difícil estar vivo sem esta sentença de morte lenta e degradante. Dá vontade de acreditar em Deus, sim, mas só se for para encher Ele de porrada.
O problema é que uma raiva desse tamanho cansa, e o tempo passa. A minha doença não me define, porque eu não deixo. Ela gostaria muitíssimo de fazê-lo, mas eu não deixo. Fiz um combinado comigo mesma: essa merda vai ter 30% da atenção que ela demanda. Não mais do que isso. E segue o baile. Mas segue diferente, confesso. Segue com menos energia e mais remédios. Segue com dias bons e dias ruins – e inescapáveis internações hospitalares.
A neurologista que me acompanha foi escolhida a dedo: ela tem exatamente a minha idade, olha nos meus olhos durante as minhas consultas, só ri das minhas piadas boas e já me respondeu “eu não sei” mais de uma vez. Eu acho genial um médico que diz “eu não sei, vou pesquisar”. Eu não troco a minha neurologista por figurão nenhum.
O meu tratamento custaria algo em torno de R$12.000,00 por mês. Isso mesmo: 12 mil reais. “Custaria” porque eu recebo os remédios pelo SUS. Sabe o SUS?! O Sistema Único de Saúde? Aquele lugar nefasto para onde as pessoas econômica e socialmente privilegiadas estão fazendo piada e mandando o ex-presidente Lula ir se tratar do recém descoberto câncer? Pois é, o Brasil é o único país do mundo que distribui gratuitamente o tratamento que eu faço para Esclerose Múltipla. Atenção: o ÚNICO. Se isso implica em uma carga tributária pesada, eu pago o imposto. Eu e as outras 30.000 pessoas que tem o mesmo problema que eu. É pouca gente? Não vale a pena? Todos os remédios para doenças incuráveis no Brasil são distribuídos pelo SUS. E não, corrupção não é exclusividade do Brasil.
O maior especialista em Esclerose Múltipla do Brasil atende no HC, que é do SUS, num ambulatório especial para a doença. De graça, ou melhor, pago pelos impostos que a gente reclama em pagar. Uma vez a cada seis meses, eu me consulto com ele. É no HC que eu pego minhas receitas – para o tratamento propriamente dito e para os remédios que uso para lidar com os efeitos colaterais desse tratamento, que também me são entregues pelo SUS. O que me custaria fácil uns outros R$2.000,00.
Eu acredito em poucas coisas nessa vida. Tenho certeza de que o mundo não é justo, mas é irônico. E também sei que só o humor salva. Mas a única pessoa que pode fazer piada com a minha desgraça sou eu – e faço com regularidade. Afinal, uma doença auto-imune é o cúmulo da auto-sabotagem.
Mas attention shoppers: fazer piada com a tragédia alheia não é humor, é mau gosto. É, talvez, falha de caráter. E falar do que não se conhece é coisa de gente burra. Se você nunca pisou no SUS – se a TV Globo é a referência mais próxima que você tem da saúde pública nacional, talvez esse não seja exatamente o melhor assunto para o seu, digamos, “humor”.
Quem me conhece sabe que eu não voto – não voto nem justifico. Pago lá minha multa de três reais e tals depois de cada eleição porque me nego a ser obrigada a votar. O sistema público de saúde está longe de ser o ideal. E eu adoraria não saber tanto dele quanto sei. O mundo, meus amigos, é mesmo uma merda. Mas nós estamos todos juntos nele, não tem jeito. E é bom lembrar: a ironia é uma certeza. Não comemora a desgraça do amiguinho, não.

quinta-feira, novembro 10, 2011

Exame do Cremesp reprova 46% dos estudantes de medicina

Prova, realizada anualmente desde 2005, avalia conhecimentos básicos que o médico recém-formado deve ter para tratar um paciente
por Saúde Web

No começo de 2012 São Paulo vai ganhar médicos que não conseguem identificar um quadro de meningite em bebês e não sabem como evitar a transmissão de sífilis da mãe para o feto. A maioria deles tem dúvidas até sobre o tratamento contra dor de garganta e desconhece que uma febre de quase 40 graus pode aumentar o risco de infecções graves em crianças. Essas são algumas das falhas apresentadas pelos formandos paulistas de Medicina avaliados pelo exame do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), que reprovou neste ano 46% dos candidatos – mais do que no ano passado, quando o índice foi de 43%. Com informações do jornal Estado de S. Paulo.
A prova, realizada anualmente desde 2005, avalia conhecimentos básicos que o médico recém-formado deve ter para tratar um paciente. Sua realização e aprovação não são obrigatórias para o exercício da profissão. “A situação pode ser até pior porque, como a prova não é obrigatória, quem escolhe fazer o exame é quem quer testar seu conhecimento e está seguro”, diz o coordenador do exame, Reinaldo Ayer de Oliveira. Apenas 418 estudantes fizeram o exame, de um universo de 2.500 formandos no Estado.
Para o presidente do Cremesp, Renato Azevedo Junior, o resultado é um diagnóstico da má formação médica no País. “Esse desempenho ruim reflete o número de denúncias de erros médicos que o Cremesp recebe todos os anos”, critica. Em uma questão com alto índice de erro, por exemplo, 58% dos estudantes revelaram desconhecer como é feita a prevenção da leptospirose.
O Conselho responsabiliza o Ministério da Educação (MEC) pela falta de critério na autorização de novos cursos de Medicina. “Novas escolas vêm sendo abertas sem nenhum critério de qualidade. Tivemos, nos últimos oito anos, a criação de 70 escolas de Medicina. Outras 40 aguardam pela aprovação”, diz Azevedo Junior. Para ele, não há docentes e hospitais-escola suficientes para suprir essa demanda. “Para a população, sobram médicos sem preparo.”
O médico Paulo Antonio de Carvalho Fortes, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, concorda com o Cremesp. “O MEC não tem conseguido impor uma avaliação condizente com o que deve ser exigido do médico, levando a uma fragilidade grande do ensino. Ao final do curso, mesmo os que não fizeram residência têm diploma e podem atuar em quase todas as áreas.”
Procurada, a Secretaria de Educação Superior do MEC afirmou que não se pronunciaria sobre o assunto. O órgão também não confirmou quantas escolas de Medicina foram criadas nos últimos anos. Segundo o Cremesp, a área de conhecimento que apresentou pior média de acertos na prova foi Saúde Pública. “Não só entre médicos, mas entre outros profissionais da saúde, o ensino mais valorizado é o relacionado ao indivíduo: a assistência curativa individual. E a saúde pública se volta mais para o coletivo.”